O Seminário Vermelho Uruku promoveu um intercâmbio de conhecimentos indígenas, reunindo saberes da Amazônia e do Espírito Santo com o intuito de capacitar professores por meio do diálogo entre diferentes culturas e saberes ancestrais.

Dividido em duas etapas, o evento cultural teve sua primeira parte no Amazonas, com a realização em Manaus na última semana de março, e a segunda parte entre os dias 13 e 18 de abril nas vilas de Itaúnas e Regência, no Espírito Santo.

Com uma abordagem centrada na educação escolar indígena, o seminário facilitou a interação entre educadores e alunos da Educação Básica e do Ensino Superior, além de reunir pesquisadores tanto indígenas quanto não indígenas.

Esta iniciativa está ligada ao Projeto de Extensão Aprender com os Índios e recebeu apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Espírito Santo, contando ainda com a participação de instituições como a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e a Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

A pedagoga e pesquisadora da Ufes, Veratriz Souto, enfatizou: “O Seminário Vermelho Uruku representa um movimento que une conhecimentos epistemológicos aos saberes locais, abrangendo desde os povos amazônicos até as comunidades do norte do Espírito Santo. Foram dias marcantes repletos de aprendizado intenso e reconexão ancestral.”

A programação diversificada incluiu várias atividades como círculos de conversa, sessões para apresentação de trabalhos com resumos expandidos, oficinas criativas, exposições artísticas e a Mostra Fotográfica Urukú Ancestral.

A Exposição Mirá-Sá Iauaretê também fez parte das atividades, apresentando propostas que promovem a valorização das culturas indígenas através da literatura, artes visuais e produções audiovisuais.

A professora Marli da Penha, da Ufes, destacou que o evento foi fundamental para valorizar saberes essenciais: “Vivenciamos momentos profundos que ressaltaram a importância dos saberes ancestrais e territoriais dos povos. Cada mesa trouxe um rico compartilhamento de ideias em busca de uma postura decolonial — algo poderoso e essencial.”

Um dos objetivos do seminário foi fortalecer a implementação da Lei 11.645/2008, que assegura o ensino das culturas indígenas nos ambientes educacionais.

A proposta também teve como meta conectar diferentes cosmologias do conhecimento, incluindo diálogos com comunidades negras dentro de uma perspectiva intercultural e multirreferenciada.

Além do aspecto acadêmico, o encontro valorizou os etnoconhecimentos e as memórias dos territórios por meio da escuta ativa dos guardiões das culturas ancestrais.

A ação reafirma a relevância da educação como ferramenta para reconhecer, preservar e difundir as culturas indígenas em consonância com temas como justiça territorial e crise climática.

O Vermelho Uruku também explorou questões sobre os efeitos ambientais causados pela tragédia na barragem de Mariana, ressaltando a urgência em proteger os rios e territórios que sustentam essas comunidades.

A proposta buscou integrar saberes tradicionais com conhecimentos acadêmicos, articulando experiências que transcendem gerações e fortalecem as identidades culturais.

Este evento é resultado da Chamada CNPq Nº39/2024 na categoria de eventos não convencionais nacionais e integra ações do Projeto Aprender com os Indígenas, selecionado na convocatória da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo.