Imagine chegar à academia, passar sua pulseira magnética e encontrar as máquinas já configuradas de acordo com seu perfil. Além disso, você teria acesso a todos os dados sobre seu desempenho e a eficácia do seu treino. Esse é o novo padrão de luxo nas academias, que vem com um preço alto. Em Vitória, algumas academias já cobram mensalidades que variam entre R$ 1.200 e R$ 2.000. O faturamento mensal dessas instituições pode atingir R$ 500 mil, solidificando um modelo de negócios que se baseia em tecnologia, exclusividade e valor agregado elevado. Essa tendência está alinhada ao crescimento do setor no Brasil, que movimenta aproximadamente R$ 12 bilhões anualmente, posicionando o país como o segundo maior mercado do mundo nesse segmento.
A digitalização é apenas o começo; o setor já se expande para uma nova fronteira: o biohacking e o biomonitoramento em tempo real. A proposta é transformar as academias em centros de gestão da saúde. Para isso, serão utilizados recursos como inteligência artificial e exames rápidos, incluindo análises de urina e sangue capilar, que podem identificar inflamações e até riscos cardíacos. Dessa forma, os treinos deixam de se concentrar apenas na atividade física e passam a ser guiados por dados clínicos em tempo real.
Nesse cenário, as academias estão evoluindo para se tornarem hubs de saúde e performance, distantes dos modelos tradicionais. Um exemplo disso é a LIFTT Fitness Club, localizada na Mata da Praia em Vitória, cuja estrutura representa essa nova abordagem. Com um investimento aproximado de R$ 10 milhões em infraestrutura, equipamentos e capital de giro, a academia se destaca pelo uso do Technogym Ecosystem, uma plataforma que conecta máquinas, usuários e dados. Isso possibilita ajustes automáticos nos treinos e acompanhamento em tempo real.
Academia com alta personalização
O modelo de negócio se fundamenta na personalização extrema dos serviços. A tecnologia reconhece cada aluno individualmente, adapta os exercícios conforme suas necessidades e gera indicadores de desempenho contínuos. Uma equipe multidisciplinar composta por professores, fisioterapeutas e nutricionistas trabalha em conjunto para interpretar essas informações e orientar os alunos nas melhores decisões para reduzir riscos. O especialista em treinamento de alta performance Leonardo Lima destaca que “o foco atual é compreender como o corpo responde ao esforço para evitar desgastes desnecessários”.
<pAlém disso, a mensalidade elevada reflete uma mudança significativa no comportamento dos consumidores. Os clientes estão em busca de eficiência, privacidade e controle sobre sua evolução física. Nesse contexto, a ciência de dados deixou de ser um mero diferencial; agora é essencial para o modelo econômico das academias, influenciando diretamente na retenção de clientes e na previsibilidade das receitas.
Novas unidades de alto padrão no radar
A operação das academias desse tipo também gera um impacto econômico significativo. Esses empreendimentos criam cerca de 40 empregos diretos e mais de 50 indiretos, além de estimular economias locais por meio de parcerias com marcas direcionadas ao público premium. O mercado fitness nacional apresenta um crescimento médio anual de 10%. Para acompanhar essa tendência crescente, há planos para expandir as operações para bairros como Praia do Canto, Enseada do Suá e Praia da Costa. Essa estratégia deve consolidar o fitness de alta performance como um novo motor da economia capixaba.
