No Espírito Santo, o total de pessoas inadimplentes apresentou uma queda pelo terceiro mês consecutivo. Em fevereiro, aproximadamente 10,2 mil cidadãos conseguiram regularizar sua situação financeira, indicando uma melhora gradual nas condições econômicas das famílias.
O índice de inadimplência registrou uma diminuição de 0,3 ponto percentual em comparação ao mês anterior, passando de 33,9% para 33,6%. Paralelamente, a taxa de endividamento, que reflete o número de lares com contas pendentes, também teve um recuo.
Em fevereiro, a taxa de endividamento foi de 89,3%, apresentando uma redução de 0,2 ponto percentual em relação a janeiro. Essa diminuição sugere que as famílias estão comprometendo menos da sua renda mensal com obrigações financeiras.
Essas informações foram obtidas por meio do Connect Fecomércio-ES (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Espírito Santo), com base na Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
Análise por faixa de renda
A melhoria foi observada em diversas faixas de rendimento. Para as famílias que recebem até 10 salários mínimos (R$ 16.210), a inadimplência caiu de 38% para 37,8%, permitindo que aproximadamente 4,3 mil indivíduos normalizassem suas dívidas.
Por outro lado, no grupo que possui renda superior a 10 salários mínimos, cerca de 5,9 mil capixabas deixaram a condição de inadimplência.
Adicionalmente, houve um aumento na capacidade dessas famílias para quitar dívidas em atraso. Entre os lares com rendimento até R$ 16.210, o percentual das que afirmam conseguir liquidar suas pendências no próximo mês subiu para 15,1%. No grupo com maior renda, essa taxa avançou ainda mais significativamente, alcançando 26,3%.
A forma como as dívidas estão sendo quitadas também variou entre os grupos. As famílias com rendimento inferior a 10 salários mínimos priorizaram pagar débitos mais antigos – aqueles com atraso superior a 90 dias – cuja taxa caiu de 61,4% para 59,7%. Já os lares com maior renda demonstraram um aumento na quitação de dívidas mais recentes, indicando uma abordagem diferente em sua gestão financeira.
Outro aspecto relevante é a diminuição no valor médio das dívidas. De acordo com dados do Serasa Experian, em janeiro o montante médio das dívidas no Espírito Santo foi registrado em R$ 5.857,76, representando uma queda de R$ 58,72 em relação ao mês anterior.
Cartões de crédito e cautela financeira
No entanto, o cenário ainda requer atenção. Em janeiro deste ano, a taxa média de juros para pessoas físicas atingiu os alarmantes 37,95% ao ano – o nível mais alto desde 2017.
Ainda assim, o cartão de crédito continua sendo a principal causa da inadimplência no Estado. Está presente em 92% dos lares que ganham até dez salários mínimos e em impressionantes 98,7% das famílias com rendimentos superiores.
No segmento familiar que recebe até R$ 16.210 mensais, outras modalidades como crédito pessoal e carnês ainda são relevantes na composição da dívida total; no entanto, algumas dessas opções apresentaram uma leve queda. Entre as famílias com rendimentos mais altos, o financiamento imobiliário e o crédito pessoal permanecem como as principais fontes de endividamento.
