Publicações falsas circularam nas redes sociais, na tarde desta quarta-feira (25), informando sobre o fechamento do Hipermercado Carrefour, localizado no Shopping Vila Velha. Mas, segundo a empresa, a informação não procede.
Segundo a nota que viralizou em grupos de WhatsApp, o encerramento das atividades estaria relacionado às restrições de funcionamento aos domingos no Espírito Santo, definidas nas negociações com o Sindicato dos Empregados no Comércio do Estado.
A nota falsa, assinada como Grupo Carrefour Brasil, informava que o domingo concentrava o maior volume de faturamento da loja e que a impossibilidade de operar nesse dia comprometeria a continuidade de funcionamento do local.
Procurado pelo Folha Vitória, o Hipermercado Carrefour desmentiu a informação com uma nota que esclarece o fechamento apenas aos domingos, tanto do Carrefour do Shopping Vila Velha quanto do Atacadão e Sam’s Club, mas que nos outros dias, o funcionamento seguiria normalmente. O Shopping Vila Velha e a Associação Capixaba de Supermercados (Acaps) também desmentiram a informação.
Confira a nota completa do Carrefour:
“Seguindo o Acordo Coletivo da Federação do Comércio do Espírito Santo (Fecomércio-ES) e do Sindicato dos Comerciários, a partir de 1º de março, as lojas do Grupo Carrefour Brasil no Estado (Atacadão, Carrefour e Sam’s Club) não abrirão aos domingos. Nos demais dias, as unidades continuarão operando normalmente.”
Fechamento dos supermercados aos domingos
A nova regra de fechamento dos supermercados capixabas aos domingos começa a valer a partir de 1º de março.
Devido ao novo cenário, a orientação é que todos antecipem as compras ou recorram a estabelecimentos que continuarão funcionando. Para facilitar essa organização, o Folha Vitória separou algumas respostas para possíveis dúvidas sobre a medida. Confira!
Por que os supermercados estarão fechados aos domingos?
O vice-presidente da Associação Capixaba de Supermercados (Acaps), Luiz Coutinho, destacou que a decisão atende pedidos antigos de trabalhadores e necessidades dos empregadores, que enfrentam dificuldade para manter equipes completas, principalmente aos fins de semana.
“A reivindicação de não trabalhar aos domingos sempre esteve na pauta dos comerciários. Neste momento, os empregadores também passaram a ver vantagem nisso, por conta da escassez de mão de obra e da dificuldade de garantir bom atendimento aos clientes nesses dias”, explicou.
Essa decisão segue até quando?
Anteriormente, o acordo estava previsto entre outubro de 2025 e outubro de 2026. Porém, há um aumento do consumo no fim do ano, devido a datas como Natal e Ano Novo. Por isso, a decisão foi adiada para início de março deste ano.
Já o encerramento do acordo segue previsto para outubro, quando será feita uma nova avaliação para determinar renovação ou não da medida.
Os estabelecimentos são proibidos de abrir?
A resposta é não. Segundo Coutinho, a proibição não impede que os estabelecimentos abram, mas veda o trabalho de empregados aos domingos. Dessa forma, pequenos comércios familiares, como mercearias de bairro, quitandas e hortifrutis podem funcionar normalmente, desde que apenas membros da família atuem no atendimento.
Padarias e farmácias não entram na regra, pois pertencem a outras categorias e não participaram da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) 2025–2027, firmada entre a Fecomércio-ES e o Sindicomerciários-ES.
Haverá reforço de atendimento nos outros dias da semana?
O setor espera um aumento do movimento nas sextas-feiras e nos sábados, e deve reforçar a atuação das equipes nesses dias da semana. O vice-presidente da Acaps afirmou que cada estabelecimento tem autonomia para decidir como implementar mudanças.
“Nós naturalmente vamos concentrar os colaboradores nesses dias, sexta e sábado, para que a gente possa atender com mais tranquilidade a essa demanda que vai acontecer. Talvez algumas empresas possam até abrir um pouco mais cedo, ou podem fechar um pouco mais tarde no sábado. Mas isso vai depender muito de cada empresa e do supermercado e tudo deve ser feito respeitando a legislação“, afirma Luiz Coutinho, vice-presidente da Acaps.
O que acontece caso os supermercados não sigam a decisão?
Empresas que insistirem em abrir aos domingos com funcionários poderão ser multadas. O valor corresponde a um salário por trabalhador escalado no dia.
Por exemplo, se um supermercado mantiver 10 empregados trabalhando em um domingo e cada um receber R$ 2.200, a multa pode chegar a R$ 22 mil.
Embora o piso da categoria seja de R$ 1.650, muitos trabalhadores recebem acima desse valor, o que pode elevar significativamente o total da penalidade.
